
Desde sempre aprendemos e absorvemos que o vocábulo espaço designa a distância entre dois pontos; área ou volume entre limites determinados; um lugar mais ou menos delimitado em cuja área pode conter algo. Entendemos ainda o termo espaço como extensão indefinida, intervalo de uma linha a outra e de maneira tipológica, é o “claro” que constitui a separação entre as palavras e às vezes, entre as letras de uma certa palavra.
Na tentativa de mensurar o infinito, o espaço como definição abstrata designa também o aéreo, este, sobreposto a um território e de modo astronômico, é a região que inclui a atmosfera terrestre e toda sua exterioridade. Percorrendo um pouco mais adiante, depara-se com o espaço arquitetônico, gerado e limitado por elementos técnicos no qual manifestam-se as diferentes dimensões seja visual, auditiva, táctil e odorífica.
Em uma perspectiva ótica e física, o espaço emerge como espaço – imagem, estruturado em um sistema ótico onde contém todos os raios luminosos, reais ou virtuais que incidem eu seu próprio sistema. De forma física, este espaço converte-se em inter-estelar agora contido na galáxia e compreendido entre o espaço intermediário e o intergaláctico e abarca a extensão onde repousam o sol, as estrelas, os cometas e logo, os planetas.
Concebido e gerado de modo filosófico por Imannuel Kant (1724-1804), o espaço aparece como uma das categorias que compõe a dimensão espaço-tempo onde nelas está atirado o humano circundado inexoravelmente por um aqui e agora.
Como bem observamos todos os modos do “espaço” aqui apresentados possuem algo em comum: uma redoma, uma circunesfericidade que os delimita. Tentemos mediante um absoluto esforço imaginar um espaço movente, desterritorializado, sem fronteiras e sem limites, onde este mesmo espaço é condutor, conducente e condição de possibilidade para inumeráveis territórios possíveis. Eis entre nós em sua multiplicidade unificada algo desta natureza, aquilo mesmo que ao adentrar ao mesmo tempo estamos fora, atirados em rumo e direção ao Nada, pois este veículo que nos guia não consiste de aparatos tecnológicos, exige apenas de nós que nos soltemos para então fluir em sua freqüência desritmada, em sua espacialidade desmesurada onde a territorialidade é fundamentalmente impossível pois caso fosse este espaço seria um espaço como tantos outros e não o EspaçoNave. (Marcos Tristão - historiador, cientista político e filósofo)
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