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Duas tripulantes do EspaçoNave participarão da primeira edição de "Ancestralidade no Universo: a Força da Origem: Teresa Moura e Suhely dos Duarte.
Novembro foi o mês escolhido para a realização desse projeto cultural cujo objetivo é honrar todas as etnias que contribuíram para a constituição das civilizações, fundamentalmente o negro, o índio, o oriental e o branco. O projeto será desenvolvido por meio de quatro grandes eventos anuais, sendo este primeiro, em homenagem ao negro, realizado na cidade de Niterói (RJ), na Galeria de Arte Universo (Rua Marechal Deodoro, 263 - Centro), de 9 a 25 de novembro, mês das comemorações a Zumbi dos Palmares. A entrada é franca e a visitação acontece de 2ª a 6ª das 9h às 22h e aos sábados das 10h às 17h. Além de exposição de obras de arte (pinturas em telas, telhas e madeira) e de fotografias, o projeto prevê programação diversificada com dança, música, performances, palavra-arte e debates acadêmicos.
Ancestralidade no Universo: a força da origem
(texto de Verônica Mattoso - Curadora)
A comunicóloga Verônica Mattoso assina a curadoria do projeto e antecipa a grande novidade do evento: “o conceito de ancestralidade nos remete para dentro e para fora de nós. No nosso entendimento, esse movimento de olhar em todas as direções e dimensões deve ser um direito de todos. Decidimos então realizar um evento acessível também às pessoas que, apesar de não poderem ver, podem imaginar e enxergar o mundo por meio da cultura aliada a recursos de acessibilidade. Para expressar a ancestralidade, reunimos obras de arte (tradicionais e táteis), sistema háptico e audiodescrição”, antecipa a curadora.
Os avanços tecnológicos das últimas décadas conectaram o homem com o mundo lá fora: internet, redes sociais, sites de relacionamento, Orkut, Facebook, Twitter... Nunca foi tão fácil a comunicação. Será? Será que a atitude de abrir cada vez mais janelas para o mundo lá fora tem uma contrapartida natural para o necessário exercício humano de olhar para dentro de si? Em quanto e enquanto olhar para fora, em busca de conhecer, tornará os homens mais sábios e menos tolos? Em que medida está do lado de fora o que realmente precisamos conhecer e saber? Comunicóloga, intrigada com tantos questionamentos, busquei reunir fios da Antropologia, da Filosofia, da Sociologia, da Linguística, da Comunicação e da História, entre outras ciências sociais, para tecer reflexões e percebi que independente da ótica sob a qual observasse, uma palavra era recorrente: ancestralidade.
Compartilhei minhas reflexões e meus questionamentos com dezenas de pessoas e ao final perguntava a elas: – O que é ancestralidade? Em busca da resposta, algumas voltavam seu olhar para o céu; outras para o chão; e um grupo olhava em ambas as direções. Passei então a me perguntar se aquele movimento teria algum significado e, naquele momento, apesar de não ter encontrado uma resposta, conclui que, independente da significação, fato é que, de algum modo, a palavra ancestralidade traz em si uma força que permeia o cotidiano de todo humano que habita a Terra. Seja olhando para o céu ou para o chão, todo mundo (e cada um) busca a memória de sua ancestral idade.
A partir desta experiência, a palavra ancestralidade tornou-se ainda mais recorrente em meu cotidiano e um novo questionamento surgiu: poderia esta memória ancestral ser artisticamente expressa e publicizada? Imediatamente, quatro mulheres com as quais tenho a alegria de compartilhar a vida surgiram como faróis. As artistas plásticas Antonia França (elementos que remetem à ancestralidade pintados em telas, telhas e madeira, totalizando 35 obras) e Teresa Moura (coleção Orixás, com 13 obras que expressam a religiosidade ancestral); a fotógrafa Mônica Dantas (14 fotografias de elementos que representam a ancestralidade nos laços familiares apresentados em pôsteres coloridos e pxb) e a neurolinguista Suhely dos Duarte (performance de palavra-arte honrando a oralidade, elemento primordial de difusão da ancestralidade) apontaram a representação cultural como possibilidade de resposta à minha questão. Refletindo juntas, percebemos sutis diferenças entre dizer e comunicar; entre olhar e ver; entre imaginar e enxergar. E cada uma com sua habilidade para ver o mundo rumou em direção ao universo criativo. Para a concretização da idéia, juntaram-se a nós o assessor de cultura da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO, João Luiz Sousa; o sonoplasta e diretor da Agência Conexx, Flávio Guanabara; o iluminador e proprietário da empresa Top Light, Wilson Morais; além do cinegrafista Adriano Diogo e dos audiodescritores Flavia Machado (SP) e Daniel Falcão (PE).
Sem qualquer pretensão de estabelecer juízo de valor entre certo e errado no sentido de expressar artisticamente a ancestralidade, decidimos compartilhar nossas reflexões com o público e assim, expandindo nosso olhar, vimos nascer o projeto “Ancestralidade no Universo: a força da origem”, que ora convidamos você a conhecer.
De todos os sentidos, a visão certamente oportuniza maior possibilidade de se obter informações. Esta é a opinião da curadora do projeto “Ancestralidade no Universo”, a comunicóloga Verônica Mattoso. “O mundo em que vivemos é repleto de informações visuais. Se voltarmos nossos olhos para o universo cultural e pensarmos, por exemplo, em obras de arte expostas em uma galeria, sabemos que as obras estabelecem um tipo de comunicação com o espectador: ao observar uma pintura, por exemplo, a idéia representada na tela é percebida e, a partir de um processo cognitivo associado ao conhecimento de cada um, a obra é interpretada e compreendida de várias maneiras diferentes. Desde a idéia original, o objetivo era oportunizar esta experiência também aos portadores de deficiência visual (Dvs). Assim, propus aos parceiros envolvidos no projeto a criação de um ambiente acessível, lembrando que o direito à cultura é inerente a todo ser humano, inclusive àqueles que não poderem ver, mas que podem enxergar o mundo a partir da cultura, aliando os outros sentidos como o tato e a audição a recursos de acessibilidade“.
Mestranda em Ciência da Informação (UFRJ/IBICT), Verônica dedica-se à pesquisa sobre o tema “Informação Cultural para quem não pode ver: um olhar epistemológico sobre a audiodescrição no Brasil”, além de cursar audiodescrição pela modalidade à distância (EAD) no curso “Imagens que Falam”, promovido pelo Prof Francisco Lima em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Todas as minhas atividades acadêmicas neste momento destinam-se ao tema da acessibilidade para DVs. “Ancestralidade no Universo” é produto da convergência entre as minhas atividades acadêmicas e minha atividade profissional de produtora e de curadora de eventos, que ganhou vida por meio dos parceiros envolvidos.
Buscamos informação sobre produtos hápticos e audiodescritos por organizações nacionais e internacionais e encontramos uma possibilidade de confeccioná-los de forma criativa e artesanal para uso dos deficientes visuais em nosso projeto. Lançamos mão de toda a nossa criatividade para dar vida a esta nova maneira de ver um projeto cultural: logo na chegada haverá um MAPA TÁTIL orientando os DVs para visitar a Galeria o que permitirá a eles ter acesso a detalhes físicos (tamanho e disposição) das obras de artes expostas; e, complementando, será possível aos Dvs ‘ouvir as imagens’, pois terão à disposição todo o conteúdo do projeto audiodescrito na Internet e também por meio de visitas áudio-guiadas, nos dias 9, 16, 23 e 25. Além dos próprios motivos de cada um dos parceiros envolvidos, para concretizar esta idéia pensadores como Maurice Halbwachs, Fernand Braudel e Albert Einstein também nos impulsionaram para, a partir do dia 9, abrirmos as portas e compartilhar com o público a nossa criação. Vale conferir! E se você conhece uma pessoa cega venha com ela e aproveite a oportunidade de conhecer e experimentar esta nova maneira de visitar um evento cultural”, convida a curadora.
INFORMAÇÕES
Verônica Mattoso Inteligência em Eventos
5521 7816-4768 ou 9798-4433
www.veronicamattoso.com

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